Casamento, Amor e Sexo – parte 1

Posted by Rossana Braghini
13 de dezembro de 2017
Rossana - Amor & Sexo

De 24 a 26 de outubro de 2011, foi realizada a semana Acadêmica da Psicologia na UPF. Esta coluna é um recorte inspirado no trabalho apresentado intitulado: “Casamento –  Amor – Sexo”.

Casamento, amor e sexo são experiências que a maioria de nós considera fundamentais em nossas vidas. No entanto, pouco nos damos conta de quanto somos determinados por dois fatores: o primeiro dos fatores,  é que somos fruto dos avatares do édipo. Em outras palavras,  na nossa primeira infância queríamos ser tudo para nossas mães ( ou para quem fez esta função), o único objeto de seu desejo e que ela fosse exclusiva para nós. Não lembramos deste tempo. Mas,  se tudo deu certo,  a função paterna impediu este desastre. E, pesar da dor momentânea por não termos tido êxito nesta empreitada, foi também graças a ela,   que nos tornamos sujeitos    capazes de ir atrás de nossas escolhas de vida,  incluindo as as nossas escolhas amorosas.

Mas não são somente as conseqüências do Édipo que nos determinam nestas escolhas. Um outro fator é preponderante: são as formações sociais nas quais estão inseridos os ideais coletivos de um tempo. Por exemplo, até os anos 50 mais ou menos, o ideal “ser virgem “para uma moça era absoluto e ninguém questionava. Parecia normal que fosse assim. Quem saia da “norma” é porque “tinha problemas”. Hoje dá-se exatamente o contrário. Se uma moça é virgem, seus pares começam a questionar a cerca da sua “normalidade”.  O que quero destacar é que o fato de nos casarmos ou não, a forma como amamos ou até aonde temos permissão para  ir com nossa sexualidade,  tem tudo a ver não somente com nossa história edípica , mas também com os ditos ideais sociais. Estes ideais nos são transmitidos através das narrativas de nosso tempo – orais, escritas e audiovisuais. E, essas narrativas são veiculadas através da literatura (livros, jornais e revistas), televisão (novelas, séries, reportagens), propagandas e cinema. Assim nós  nos identificamos com idéias, comportamentos e valores transmitidos por estes veículos, de forma que estes ideais se amalgamam no nosso ser e nós os transformamos em “nossos”.

É claro que não podemos esquecer o alerta do sociólogo Richard Sennet que nos avisa: carregamos traços dos ideais e valores tanto da cultura precedente como da emergente. Assim, nossos sintomas psíquicos atuais , como nossa forma de amar também podem entrar num jogo de forças contraditório que demandam ser interpretados. Por exemplo: uma mulher pode discursar sobre sua livre sexualidade, mas secretamente, até para si mesma,  desejar um casamento de véu e grinalda exatamente nos moldes dos anos 50…

(Na próxima semana continuaremos com Casamento, Amor e Sexo)

Este artigo foi publicado entre 2010 e 2013 no Jornal O Nacional, de Passo Fundo, RS.

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